A terrível (?) morte dos smartphones não é futurismo, é tendência

by organica

 

“2018, o começo do fim dos smartphones.” Catastrófico, não? Não. Foi com essa frase que Amy Webb, futurista quantitativa assumida e professora de previsão estratégica na Escola de Administração da New York University Stern começou sua apresentação na SXSW, evento de economia criativa realizado em Austin, Texas.

 

Parece loucura imaginar uma realidade sem os nossos adorados aparelhinhos no bolso depois de todo o encaixe e novidades que eles trouxeram para o nosso dia a dia, mas, acredite, esse cenário está muito longe de ser um delírio da tecnologia.

 

Webb não foi a primeira, e nem será a última, a falar sobre isso. Em 2015, a Ericsson ConsumerLab divulgou uma pesquisa para definir as maiores tendências de consumo para os próximos 5 anos. Resultado: os smartphones seriam substituídos por tecnologias como Realidade Aumentada (AR), Realidade Virtual (VR) e Inteligência Artificial (AI) até 2020.

 

Existem alguns indícios no mercado mundial de smartphones que apoiam esse movimento. Pela primeira vez desde o lançamento dos celulares inteligentes os índices de distribuição (shippment) mundial apresentaram uma queda, de 0,5%, em 2017, segundo relatório da International Data Corporation (IDC).

 

Outro sintoma fortíssimo que o mercado apresenta é a questão da comparabilidade entre os modelos, os diferenciais funcionais de produto ficaram menos evidentes como decisor de compra para o consumidor e migraram para o campo dos features. A diferença entre comprar o modelo mais atualizado e o “ultrapassado” não está no mesmo patamar de significado tecnológico como a 5 anos atrás, quando migrar do Iphone 4 para o Iphone 6 representava um salto enorme.

 

Mas, os smartphones vão simplesmente desaparecer? Sumir? Não. O fato de uma tecnologia se tornar obsoleta não quer dizer que ela irá ser varrida totalmente das nossas vidas de uma hora para a outra.

 

Os grandes questionamentos não estão em torno de QUANDO os smartphones vão se tornar obsoletos, mas COMO esse processo irá se dar e QUEM ou O QUE vai “substituir” os nossos bichinhos de estimação eletrônicos.

 

O Future Today Institute, referência na análise de tendências, acredita que a tecnologia dos smartphones será transferida para sensores de face, voz, tato e até mentais, principalmente através dos wearables (pulseiras, relógios, óculos, etc).

 

Passado o processo de obsolência dos smartphones, podemos, enfim, apresentar as novas possibilidades que prometem enterrá-los. E claro, nessa lista, dois nomes não poderiam ficar de fora: o polêmico Elon Musk, e o não-menos-polêmico Mark Zuckerberg, criador do Facebook.

 

Um dos grandes projetos de Musk é a Neuralink, uma interface computador-cérebro que ajuda pessoas com deficiência a se comunicarem com o mundo exterior, a partir do controle de máquinas, usando o próprio pensamento.  

 

No Building 8, do Facebook, “escrever” através do pensamento já é uma realidade, utilizando uma interface cérebro-computador, a partir de wearables, é possível enviar pensamentos  diretamente para uma máquina. A expectativa da companhia, em menos de 1 ano, é permitir que o novo modelo seja capaz de digitar 100 palavras por minuto, apenas pensando no que dizer.

 

O Facebook mostrou que entrou de cabeça no campo da virtual reality/realidade aumentada com a compra da Oculus Rift. Michael Abrash, líder do projeto, disse que os smartphones vão ser totalmente substituídos por lentes inteligentes em um prazo de 20 anos, e que os óculos transparentes que misturam o mundo real e o virtual serão uma realidade em 5 a 10 anos.

 

Outro produto que está em versão beta é o Facebook Spaces, que possibilita o encontro entre amigos mesclando o ambiente virtual e o real, a desvantagem é a necessidade do Oculus para a garantia de uma experiência 100%.

 

O messenger ganhará algumas novidades, como a capacidade de sugerir ações e produtos dependendo de cada conversa e a possibilidade de bots nativos para estabelecimentos comerciais (restaurantes e bares, por exemplo) responderem automaticamente dúvidas (dependendo da base de respostas) das pessoas, como horário de funcionamento e preço, por exemplo.

 

Invenções malucas ou não, o fato é que tudo isso está sendo pensado e desenvolvido para ser implementado na sociedade, a realidade aumentada para produtos de varejo e entretenimento (Pokemon Go), a realidade virtual nos games, os sistemas autônomos como otimizadores de tarefa (Chatbots e assistentes virtuais) e a possibilidade de convergência de todas essas tecnologias juntas.  

 

Luciane Aquino, especialista em tendências e sócia da Organica, falou um pouco sobre esse cenário no nosso país: “No Brasil, a visão sobre a tecnologia automatizando e propondo novas possibilidades para o dia a dia ainda está engatinhando se compararmo-nos ao resto do mundo. Muito se diz sobre a culpa de uma cultura que não prestigia a inovação e se apega ao modelo de vida “tradicional”, mas, quando  a inovação expõe seu valor de otimização, experiências e outras facilidades a adesão se mostrou gigante – Uber, IFood, AirBNB, MaxMilhas e tantos outros – o natural seria estar atento ao próximo passo, mas, a insegurança, falta de atualização e pensamento futuro se tornam os grandes inimigos para empreender e acreditar nessas novas propostas.”

 

Os smartphones podem não ser varridos completamente, mas, sem dúvida alguma estão com os dias contados. É fundamental levar em conta o contexto de implementação da tecnologia na sociedade para desenhar novas estratégias, ideias e funcionamento de novos negócios, ou melhor, é estritamente necessário estar consciente disso para não ser pego de surpresa e simplesmente ser enterrado na mesma cova da obsolescência.

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