Por Danilo Gonçalves*

Não restam mais dúvidas de que, desde a Revolução Industrial, evoluímos muito do ponto de vista estratégico-mercadológico. O movimento que sistematizou a produção e entrega de produtos e serviços em série vem sendo cada vez mais questionado por modelos, digamos, mais inovadores. Afinal, aliando boas ideias, tecnologia, um plano de negócios inteligente e, principalmente, tentando resolver dores de algum nicho é que nasce o potencial de sucesso!

Mas “estar mais claro para os envolvidos” não quer necessariamente dizer que essa história esteja sendo contada com o potencial que tem. Digo isso porque tenho questionado bastante se os meios de comunicação têm dispensado atenção e espaço a esse movimento sem volta.

Para defender meu questionamento, volto um pouquinho à minha própria imersão na Nova Economia: passei a vivenciar a disrupção mais de perto quando tive a oportunidade de, ainda de forma tímida (pero no mucho), começar a atuar ao lado do Roni (Cunha Bueno) e da Luciane Aquino, ainda nos tempos do portal Terra. O burburinho em torno de mudar a cultura de uma empresa para que o produto final fosse algo mais atrativo e que atendesse à necessidade da audiência (e também da publicidade) aflorou em mim e comprei a ideia.

Jornalista de formação, mas comunicador desde os tempos de Xou da Xuxa (haha), sempre me fez crescer os olhos conhecer tendências de perto o quanto antes. Desde sempre tenho encantamento em entender, afinal, como os caras conseguem consolidar impérios a partir de ideias simples (mas nunca simplórias) – Netshoes, 99, Uber, Airbnb, Spotify, o próprio Facebook e tantos outros que surfam na onda da Nova Economia não me deixam mentir.

Mas nem tudo são flores! Como profissional da Comunicação, percebo claramente uma certa (eu diria até que acentuada) dificuldade de parte dos meus colegas em se interessarem, DE FATO, pelo tema. Isso não é uma crítica, mas uma reflexão. Afinal, a comunicação também está mudando!

Analisemos: qual é a editoria dos principais veículos de comunicação do País dedicada a tratar do tema? É claro que em “ECONOMIA” fala-se, eventualmente, a respeito. É claro que há espaço para PMEs nos jornais pelo menos uma vez por semana. Mas e essa tal Nova Economia? Não deveria fazer parte do noticiário diário, tal qual a cotação do dólar? Afinal de contas, não estamos falando de um movimento que, basicamente, pauta as relações contemporâneas entre pessoas e marcas? Estamos falando do dia a dia das pessoas, pura e simplesmente.

A impressão que sempre tenho é que as tais histórias a contar se fazem pequenas aos olhos da Comunicação, ou que a regra é “não se fala de startups aqui”. Ou “empreendedorismo não entra na editoria de Economia, tenta em outro lugar”. Nos Estados Unidos, celeiro da Nova Economia, há grandes espaços dedicados para o tema, e jornalistas cobrindo a evolução em real time. Citando apenas alguns exemplos de veículos, temos a Wired, a Inc.The New EconomyLos Angeles TimesThe VergeMotherboard (da Vice)futurism.comBusiness Insider e Quartz.

Posta a discussão, sigo me perguntando: será que a Comunicação ainda não percebeu que o que hoje parece uma “pequena história” na semana que vem ganha o mundo? Não quero, claro, ser injusto com os admiráveisProjeto DraftStartupiBagueteMinas Inova, o nosso Renato Mendes e seu Cabeça de Startup, na Época Negóciosnós aqui e alguns outros. 

Mas não me resta dúvida de que as grandes histórias brilhantes da Nova Economia ainda não têm proporcionais espaços para serem contadas. Bora escrever essa página juntos?

*Danilo Gonçalves é jornalista e redator. Desde 2013 acompanha de perto o mundo da inovação e startups. Em 2014, integrou a equipe de Roni Cunha Bueno no Terra e seguiu com o sócio-fundador da Organica, onde atua desde então.

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