A tecnologia é a parte fácil, a disrupção é Cultural

Primeiro dia de viagem para SXSW, 50 pessoas na sala, organicos, diretores de empresa, empreendedores e startupeiros. Organizamos um rito para que todos se conhecessem, em que basicamente a pessoa precisa dizer ao grupo:

  • três palavras que a definem;
  • uma dor;
  • e uma missão para o futuro.

Primeiro ponto que me chamou muito atenção foi que grande parcela do grupo tinha a mesma e profunda dor: gestão do tempo.

No segundo exercício, mais prático, preparamos o mindset do grupo para o evento aqui em Austin, que diferentemente da maioria dos eventos de negócio, não tem uma trilha clara e definida, exige um mínimo de planejamento e uma boa dose de flow.

Após minha sócia e nossa curadora Luciane Aquino apresentar como ninguém as diversas possibilidades para o planejamento, Murilo Gun, cliente, companheiro e amigo, dividiu a importância do Acaso, de deixar acontecer.

Feita a introdução, eu me preparei de maneira diferente para esse evento.  Resolvi que iria ser mais incisivo e participativo em redes sociais. Peguei uma das minhas contas do insta – @roni_cunhabueno – e decidi que ela seria profissional agora. Com pouco mais de 400 seguidores (como uma fã uma vez me falou “só issuuu…”), resolvi “fazer direito”.

Durante os dias 9 e 10 de março, comecei a postar como profissional, sei como se faz. E, batata… Likes, novos seguidores, pessoas que não me viam há muito tempo comentando, pessoas me chamando para um café aqui em Austin, pois tinham visto minhas postagens, pessoas me chamando para um almoço no retorno à São Paulo. Enfim, funcionou, ou pelo menos eu achava.

A real é que aquilo estava me incomodando, não era meu natural,  ficava mais preocupado com o post do que com o conteúdo que estava ali na minha frente acontecendo. Na noite do dia 10 confessei isso para minha mulher, minha par, minha coach. Em dois minutos com ela, percebi um primeira luz de que não estava legal e parei gradativamente de postar.

O que viria acontecer no dia 11 seria mágico. Acordei com as duas câmeras do celular sem funcionar. “Putz, que merda”. Já na primeira palestra me deu vontade de clicar… eram os fundadores do Insta… mas não podia… kkkk… não tinha como, mesmo que eu quisesse postar a foto deles não conseguiria. kkkk.

Ainda um pouco injuriado, percebi que tinha que passar em uma Apple Store, pois aqui eles trocariam no mesmo momento, quando no Brasil seriam alguns dias sem telefone. Estava esperando a condução para o shopping chegar quando encontrei Murilo G. Contei o ocorrido… e ele falou: “Lembra? É o acaso, vai ver que não é para vc tirar mais foto”.

Fui à loja, trocaram por uma novo iphone, mas como o Wi-Fi da loja estava congestionado não consegui baixar tudo para fazer o celular funcionar. Cheguei no Hotel e mesmo problema. Fiquei sem celular.

E aí? Para onde vou agora? Sem Whats para saber onde as pessoas estão e o que estão fazendo, para onde vou, o que eu faço?

Resolvi o mais óbvio: eram 21:30 e eu estava com fome, desci e fui comer no restaurante do hotel. E lá na primeira mesa estava Flavia Barros, da Orgânica. Opa, alguém para jantar, pensei. Ao sentar, ela se queixou do mesmo problema, tinha comprado um iphone novo, mas não conseguia baixar os APPs para uso.

E, sem telefones, sem nenhuma distração, pois não conhecíamos mais ninguém, tivemos um jantar de verdade. No início os dois com um pouco de FOMO, pensando: cacete, estamos perdendo muito de coisas que estão acontecendo agora em algum lugar.

Depois de 15 minutos, começamos a conversar, olha só, e falamos de coisas profundas. Foi uma verdadeira Real Reality. Sim, já existe um termo para descrever momentos de desconexão virtual e alta conexão real.

Ao final daquelas horas, tínhamos rido, chorado, berrado, e de verdade emocionado.

E aí caiu a ficha.

O quanto de potencial perdemos com as microinterferências que constantemente tiram nosso foco do momento presente.

O quanto de inovação perdemos com as inúmeras respostas rasas que damos a cada segundo a micro soluções.

O quanto de autenticidade perdemos quando queremos mostrar para outro algo que alimenta nosso ego.

A real é quanto tempo de qualidade você perde.

E aí não é de assustar que esse seja a dor número do grupo que veio conosco e que o tema da relação dos seres humanos seja o assunto mais tratado em palestras aqui em SXSW, ano passado já apontava como um dos top 5 temas, esse ano é O TEMA. Teve até palestrante confessando que colocou o tema sobre Inteligência Artificial só para ser aceito, mas o que ele queria mesmo falar era sobre pessoas.

A tecnologia é a parte fácil, a disrupção é Cultural.

Nós na Organica acreditamos profundamente nisso, acreditamos que a transformação digital de uma empresa vem do seu propósito aplicado a uma cultura alinhada aos 7 Princípios da Nova Economia e Modelos de Gestões modernos que aprofundamos no livro Mude ou Morra.

Essa viagem para SXSW só reforça ainda mais que estamos com os modelos corretos para construir caminhos de crescimento na nova economia.

Muito grato por todos os palestrantes que vi, e principalmente a todos os amigos e parceiros que me proporcionaram um café, almoço, jantar, HH e baladas; uma conversa, um jogo, uma troca, um abraço, uma risada e uma verdade bem dada.