Berlim, o muro tombado pela cultura

by organica

No segundo post da série, pólos de inovação, aportamos em terras germânicas, mais precisamente em Berlim! Não viu nossa primeira parada? Então dá uma volta pro Oriente Médio e conheça Israel, a Startup  Nation no meio do deserto!

 

Das cinzas e escombros ao pedestal mais alto da Europa

O conturbado passado de Berlim no século 20 não impediu a cidade de se reinventar e consolidar-se como um dos grandes centros criativos do velho continente. O Muro de Berlim, símbolo do período de desfecho da Segunda Guerra e reflexo da bipolaridade da Guerra Fria, tornou-se uma das maiores muralhas ao ar livre do mundo – com mensagens que ressoam outros períodos, diversos  países e centros – tudo isso à partir da arte, cultura e colaboração.

 

A reunificação alemã pós Guerra Fria trouxe frutos para a cidade desde o primeiro pedregulho cair para o outro lado da muralha; o U2 estava no Hansa Studios, em 1990, para gravar o premiado Achtung Baby. David Bowie também esteve por lá.

 

As comunidades criativas da cidade formaram lobbies para promover seus espaços em torno da inclusão, colaboração, segurança e acessibilidade.

Criações que se conectassem com a cidade e a população no seu dia a dia, incluir a cultura e se apropriar de toda a jornada histórica árdua que passou por lá.

 

A  Bienal de Berlim de Arte Contemporânea, o Festival de Berlim Flash Film, Semana Verde Internacional, Transmediale, Improfestival, Invasão Comic, Open Air Gallery, Worldtronics, e Jazz Festival de Berlim são exemplos de alguns eventos que surgiram ao longo dessa construção criativa.

 

Essa transformação posicionou a cidade como um dos principais centros de Startups na Europa, abrigando negócios notáveis como SoundCloud e Babel.

 

São 500 novas startups por ano, gerando um giro de quase 15% em novos empregos dentro da economia digital – um crescimento quatro vezes maior se comparado aos demais setores.

A aura criativa de Berlim foi a fragrância que atraiu diversos empreendedores através do globo para a cidade.

 

Berlin Partner, o apoio às novas ideias

 

O sistema de atração das startups é incentivado pela Berlin Partner (BP), agência de desenvolvimento financiada por recursos públicos e privados, que auxilia o empreendedor com a busca de parceiros de negócio, local de atuação e um exímio sistema de cooperação de pesquisa e desenvolvimento junto a 2 mil companhias, locais e estrangeiras.

 

Cooperação é a palavra chave para entender o sistema de inovação e criatividade dos alemães.

Um serviço oferecido pela BP é a “imigração de negócios”, que facilita a contratação de profissionais não europeus para trabalharem no país sem a burocracia imposta por outros países da zona do euro e cidades da própria Alemanha, por exemplo, Munique.

 

A queda de muros, a Berlim multicultural

 

Cerca de um terço dos 3.5 milhões de habitantes da cidade chegaram de outras partes do mundo ou nasceram de famílias imigrantes, reflexo importantíssimo depois de todas as políticas antissemitas doutrinadas por lá por um certo tirano de bigode.

 

A Alemanha suprimiu uma cultura antiga sobre a militarização extrema para tornar-se a principal potência política dentro da união europeia, o ultra nacionalismo germânico perdeu muito em nível de importância dentro do parlamento – possibilitando a integração cultural entre povos e abrindo as portas para o mundo exterior

 

As políticas de acessibilidade para os novos cidadãos foram pontos primordiais para o desenvolvimento dessa cultura diversa, os aluguéis mais baixos e salários fora do subemprego e marginalização (comparados à outros centros europeus) fizeram parte do processo de transformação do estrangeiro para cidadão.

 

Além de muitos europeus, Berlim tem ido buscar muitos israelitas e indianos, especialmente competentes a nível de programação. O governo Merkel criou programas de intercâmbio com as cidades de Tel Aviv e Bangalore para reforçar as ligações com os dois países.

 

Uma prova disso é que em Berlim existem startups com mais funcionários internacionais: quase metade deles vem de países de fora da Europa. (5º Monitor de Startups Alemão).

 Essa abertura resulta num processo de troca de experiências que é imprescindível para qualquer construção conjunta de ideias.

 

Ideias, ideias e mais ideias

O Betahaus, primeiro espaço de coworking da Europa, é um símbolo da cidade. A expansão da economia digital trouxe os centros de inovação de diversas empresas alemãs, fundos de investimento e venture capital para se instalarem na cidade. Inaugurado em 2009, com cerca de 20 ocupantes, o coworking hoje já está empacotando o antigo espaço para se mudar para 2.8 mil metros quadrados junto à seus mais de 600 associados e longas filas de espera.

 

 

O centro de inovação, Factory Berlin, propicia a união de startups, times corporativos e incubadoras – contando com a presença de peixes grandes como Deutsche Bank, Audi, Google, Siemens e SoundCloud. Em 2018, o Ministério de Negócios e Energia da Alemanha instalou no local um hub de economia digital, acessível a partir de um processo seletivo duríssimo.

 

Essa integração é orientada através do MatchMarketing, ou seja, a combinação entre as grandes companhias e as novas soluções trazidas por startups. Novamente, a cooperação através da acessibilidade.

 

Aproveitar o potencial de inovação e agilidade que as startups trazem é fundamental para as grandes corporações se manterem vivas no cenário digital, que por sua vez, emprestam sua estrutura global para dar uma visão ampla aos talentos que podem oferecer algo diferente. 

Da Prússia à Alemanha, o triunfo de Berlim

A ligação entre a velha e a nova economia é o grande trunfo do progresso da inovação pelas terras germânicas, é curioso, a cooperação é a origem da unificação das tribos que vieram a dar origem à atual Alemanha, mesmo com todo o relacionamento conturbado dos prussianos. A integração mira retroalimentar um sistema de inovação que almeja estruturar uma estratégia de digitalização social, comandada pelo governo alemão,  resultando na produção da indústria 4.0 – apoiada na educação digital e na excelência da produção científica, tecnológica e acadêmica.

 

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