Israel, uma miragem para as Startups

by organica

Israel, 8.6 milhões de habitantes, centro de conflitos históricos desde sua nascença, e agora, 10º país mais inovador segundo a Bloomberg e 2º país com maior maior concentração de Startups por pessoa (só perde para a Estônia).

 

Waze, Wix e Moovit são negócios globais que tiveram início no oásis de Tel Aviv, capital econômica do país.

Um país com o tamanho do estado de Sergipe e com população menor que o estado de São Paulo, mas, mesmo assim, anos-luz à frente do gigante verde e amarelo quando o assunto é cultura de inovação.

No território israelense, as 300 empresas mais importantes do mundo marcam presença através de centros de pesquisa e hubs de inovação, ultrapassado somente pelo Vale do Silício.

Apple, Intel, Microsoft e IBM são algumas que investem em pesquisa e desenvolvimento no país.

 

Em um cenário totalmente adverso, como Israel conseguiu se reinventar e trilhar esse caminho para o topo do cenário mundial quando o assunto é inovação?

O modelo de integração entre a iniciativa privada, políticas estatais, sociedade acadêmica, empresas locais e startups, somado à uma grande quantidade de capital disponível, resulta numa cultura empreendedora focada em criar negócios globais.

 

Ou seja, uma visão de sociedade integrada em prol do desenvolvimento dos mais diferentes setores no país. Construída através de pilares como educação, incentivo à pesquisa e abertura à imigração.

 

A cultura em convergência

Um dos primeiros estouros de imigração para a região é resultante da Segunda Guerra Mundial, recebendo cientistas, professores e acadêmicos fugindo do regime nazista.

Logo depois, milhares de russos, principalmente a “classe média alta” e intelectuais que seguiram para o país devido às perseguições religiosas.

 

A integração cultural em Israel não para por aí, cerca de 4 milhões de israelenses já viajaram para o exterior, quase 50% da população do país. Dentre aqueles que possuem mais de 20 anos, 30% realizou esse tipo de viagem nos últimos 12 meses (dados do Centro Nacional de estatísticas do país).

Entender a importância e absorver novas referências de cultura, comportamento e modos de produção é fundamental para a inovação, afinal, quanto mais experiências análogas, maior a capacidade de produzir novas ideias e proporcionar novas experiências.

A valorização da pesquisa e produção científica

A principal universidade do país é a TAU (Tel Aviv University) com mais de 30.000 alunos e referência em publicações acadêmicas. O país é o terceiro que mais produz publicações científicas no mundo, com 9 universidades e 54 colleges.

 

A produção acadêmica tem forte integração com o potencial de investimento estatal e privado voltado à inovação no país.

Maior concentração de engenheiros e cientistas per capita, são 135 engenheiros e 140 cientistas e técnicos para cada mil empregados.

 

Ami Appelbaum, cientista-chefe de Israel e presidente da AII, que é vinculada ao Ministério da Economia, em entrevista ao jornal Valor Econômico, ressaltou a importância do cérebro, que é a nova commodity.

“Para a economia digital, você não precisa de matérias-primas, não precisa de mineração, de gás, de petróleo. Todas as maiores empresas de hoje não têm isso. Achamos um pouco de gás agora, e isso é bom, mas vivemos cada vez mais de cérebro em Israel.”

 

O Vale do Silício nunca teria sido abastecido sem as “cabeças” provenientes de Stanford, Berkeley e MIT, por exemplo. Educação é base chave, seja ela básica ou superior, determina os horizontes e sua acessibilidade.

 

Investimento e incentivo ao mindset da Nova Economia

Em 2017, mais de US$ 5.2 bilhões foram investidos em Israel por Venture Capitalists, 84% deles vindo de fundos estrangeiros. Em 2016, foram quase US$ 4.9 bilhões, 87% vindos de fundos estrangeiros

 

A AII, Autoridade de Inovação de Israel, é uma entidade pública responsável pela gestão dos valores cedidos pelo governo para investimento em tecnologia, pesquisa e startups – cerca de meio bilhão de dólares, em 2018.

Israel é o país que mais investe no mundo em pesquisa e desenvolvimento, destinando 4,3% do PIB (cerca de US$ 13 bilhões por ano) e superando a Coreia do Sul no ranking.

 

Todo esse investimento é fruto de uma mentalidade de empreender voltada para o global, toda startup no país nasce com a necessidade de estar aberta para o mundo e não somente para o consumo local, devido ao mercado interno ser limitado em termos de volume. No Brasil, quantas Startups não oferecem um site em inglês? Uma versão legendada de sua produção e cases? Quantas pensam somente no mindset do consumidor brasileiro e não nas lacunas de comportamento do consumidor global?

Entre nós e Israel existe uma distância enorme quando o assunto é inovação, e não nos atendo a alguns desses principais pilares de desenvolvimento esse abismo só tende a crescer ainda mais.

Quem pensar melhor sobreviverá melhor

Por Luciane Aquino

No jogo do futuro cada vez mais próximo, a maior riqueza de uma comunidade de seres humanos residirá na capacidade individual de criar e na capacidade coletiva de realizar. Com cada vez mais máquinas substituindo seres humanos na reprodução do conhecimento existente, a nova elite será aquela capaz de produzir coisas novas, exercitando um dos superpoderes que o homo sapiens ainda mantém diante do avanço das inteligências artificiais: a criatividade.

A vantagem que países como Israel e a Coreia do Sul detêm diante dos grandes é a compreensão dessa mudança que vai ocorrer muito rapidamente. Eles sabem que é estratégico aprender a pensar e a trabalhar em conjunto na construção inovadora. Entendem que nesse caminho é preciso aprender a errar e a replanejar rapidamente, e também que é preciso investir pesadamente na formação dos que manterão esse ciclo ativo no futuro. O problema é que o cenário mundial conta com um player gigante fazendo o mesmo: a China. Quem vai ganhar essa guerra? O Golias oriental é o franco favorito, mas não vai ganhar a batalha sem enfrentar umas boas pedradas dos menores, que contam com um belo jogo de cintura e uma boa pontaria.

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