Lisboa, a casa do Web Summit

by organica

Lisboa, Portugal

Nossa viagem através dos pólos de inovação ao redor do globo deixa o continente asiático para navegar até a península Ibérica, invertendo a busca pelas índias. O porto de Lisboa é nosso ponto de ancoragem.

Não viu nossas três primeiras paradas? Dá uma volta e confira o que Israel, Berlim e Shenzhen estão trazendo de mais quente em relação a criatividade e inovação.

 

 

A cidade luz de volta ao centro do mundo

Lisboa, 2018, escolhida como o palco, e nova casa, do Web Summit, o maior festival de inovação da Europa.

Cerca de 600 anos atrás, a expansão da missão marítima das potências Ibéricas se lançava em meio às águas desconhecidas do Atlântico, índico e Pacífico na busca de conectar o mundo às respectivas coroas.  

É curioso imaginar a capital portuguesa como referência no universo da Nova Economia e da inovação, principalmente devido ao cenário devastador que os lusos viveram na última década desde a crise global de 2008.

Uma vida sob a Troika

Viver em meio às políticas de austeridade do FMI, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia é um cenário catastrófico para qualquer país (haja vista a Grécia!).

Portugal não foi excluído do bombardeio global desencadeado pela crise imobiliária norte americana. Em 2013, o desemprego batia o índice dos 16,8%, o déficit público superava os 3% e a dívida chegava à 132% do PIB.

Natureza & Cultura, o levante lusitano

 

A Lisboa bilíngue

O alicerce da retomada portuguesa até se tornar a nova casa da Web Summit é inegavelmente formado por estes dois tópicos.

O auxílio dos governos, nacional e local, no que diz respeito ao investimento em educação e acessibilidade cultural foi fundamental nas duas últimas décadas, proporcionando o desenvolvimento de uma geração cada vez mais global e bilíngue.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, 82% dos habitantes de Lisboa dominam fluentemente pelo menos um idioma estrangeiro, massivamente o inglês.

 

Dos pastéis de nata ao Castelo dos Mouros

Lisboa oferece um leque de possibilidades enorme quando o assunto é cultura, desde as construções, museus e galerias históricas, até a gastronomia e produção artesanal – além disso é possível estar nas belas praias em cerca de 20 minutos do centro da cidade.

O turismo na capital bate recordes ano atrás de ano, com cerca de 20 milhões de visitantes por temporada – esse boom foi importantíssimo para a reconstrução de diversos setores da economia portuguesa, como o setor imobiliário, a construção civil e a área de eventos. No primeiro semestre do ano, a Arco Lisboa (extensão da Arco Madrid, uma das maiores feiras de arte do mundo) aconteceu por lá.

O Web Summit é outro exemplo de evento gigantesco em terras lisboetas.

Em 2017, o crescimento foi de 2,7%, o maior desde 2000, o déficit recuou para 1,1% e a dívida caiu para 126% do PIB. O investimento subiu 9%, grande parte com recursos de origem privada e estrangeira, e o desemprego despencou para 8,9%.

 

Lisboa à Londres, à África, ao Oriente Médio

A calorosa cidade portuguesa se beneficia muito de sua localização geográfica estratégica, o aeroporto da cidade comanda vôos para as principais cidades da América do Norte, América do Sul e África.

Além disso, a capital portuguesa está a quase duas horas de distância das principais capitais européias, facilitando a integração de comando.

 

Esse fator pesou para o Google escolher a cidade na construção de seu novo centro de serviços para a Europa, África e Oriente Médio. Abrindo quase 600 vagas de emprego nas mais distintas áreas, de gestão à profissionais especialmente técnicos, como engenheiros de software.

 

A presença do gigante da tecnologia serviu para consolidar ainda mais a posição de Lisboa como um grande centro de inovação na Europa.

 

Juntam-se ao Google, a Uber, Mercedes-Benz, Zalando e Volkswagen com inauguração de centros de serviço e inteligência na cidade, quase mil novos postos de trabalho para estrangeiros e locais.

 

 

Apesar dos gigantes, Lisboa é de quem cria uma nova visão

A cidade convive com uma atmosfera multicultural, haja vista o grande fluxo de brasileiros que estão rumando à Portugal nos últimos anos.

 

No bairro do Intendente, a comunidade de imigrantes vindos de Bangladesh, Paquistão e China tomam as ruas junto à população local. A região também é marcada pelos “jovens itinerantes” empreendedores da Europa e Estados Unidos.

 

Apesar da chegada dos gigantes, o ecossistema empreendedor da cidade é sustentado e desenvolvido pelas iniciativas menores, que se aproveitam das lacunas e de uma economia em reconstrução para se desenvolver, principalmente nos setores de turismo, educação e saúde.

 

Lisboa conta com cerca de 32 incubadoras e aceleradoras, 55 espaços de coworking e seis Fablabs (a mesma quantidade que São Paulo, porém com uma população 24 vezes menor). Em 2016, foram registradas 5.480 novas empresas na cidade.

 

 

Ainda é cedo, mas Lisboa está preparando as caravelas

 

200 milhões de euros em investimentos (R$500 milhões).

Esse é o valor levantado pelas startups da cidade, quase metade desses recursos foram direcionados aos empreendimentos incubados na Startup Lisboa, criada pelo município em parceria com o Banco Montepio e o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI).

 

A Sciency4You, se enquadra no caso acima, mas foram necessários quase 10 anos para um aporte de capital de risco.

O investimento chegou quando a empresa já possuía um faturamento de 20 milhões de euros por ano e estava presente em mais de 40 países.

 

Esta é uma situação que ainda é delicada para a cidade, devido à última década sombria vivida pelos lusos, porém, com o caminhar do ecossistema criativo na cidade luz, esse cenário tende a mudar.

 

A cidade luz é pura tecnologia

 

É oficial, o Web Summit irá permanecer em Lisboa pelos próximos 10 anos. A cidade desbancou Madrid e Berlim para a execução do próximo evento, e, de quebra, ainda estendeu o vínculo com os organizadores.

 

Fernando Medina, atual presidente da Câmara de Lisboa, presenteou Paddy Cosgrave, co-fundador do evento, com um quadro de Fernão Magalhães – grande navegador português – e adicionou no final do evento “Graças ao Web Summit, Lisboa volta a ser capital do mundo”

 

Arrogância ou piada de português a parte, fato é que a velha cidade vêm chamando a atenção de milhares de pessoas com um ecossistema fervente em termos de inovação, unindo cultura, história e tecnologia.

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