Por Luciane Aquino

Você já ouviu isso, porque é tão verdadeiro que virou lugar-comum: quando seres humanos se reúnem para uma atividade criativa, a soma de dois indivíduos pode ser muito maior do que 2. Juntos, potencializamos nossas capacidades, e a complementariedade das nossas diferentes experiências e visões de mundo é uma das grandes forças geradoras de inovação. Só gênios criam sozinhos. E gênios espertos buscam boa companhia.

Se você já participou de um momento desses, sabe do que estou falando. É quando, depois de muito suor intelectual (e, às vezes, físico), uma corrente elétrica passa pela sala, as peças começam a se encaixar e um novo cenário se descortina na frente de todos. Como não tínhamos visto isso antes? Naquele momento, ninguém tem dúvida: foi uma construção coletiva. Uma contribuição não teria surgido se não fosse a dada pelo outro, e ninguém honesto pode se dizer dono daquela ideia.

Não que ninguém nunca se diga. Gente que cria não é necessariamente honesta. Quando alguém sair da sala e se disser dono da ideia ou de parte dela, fique de olho no sujeito: ele é o cara que vai dizer no futuro que a parte que não deu certo não foi ideia dele.

O problema da aritmética criativa é que o resultado da soma de dois indivíduos nem sempre é maior do que 2. Ela pode ser zero. Ela pode, aliás, ser menor do que zero. Essa aberração ocorre mais frequentemente do que deveria, e acontece porque adicionamos uma laranja podre na conta. Você sabe de quem eu estou falando. É aquela criatura que ficou sentada o tempo todo com uma cara azeda. É o chato que interrompeu o fluxo criativo porque tinha uma história pessoal pra contar, invariavelmente desastrosa. É o cara que rebateu todo e qualquer argumento. É a mala que deixou todo mundo irritado.

O resultado? É o que a laranja podre queria: péssimo. Abaixo de zero. Uma perda de tempo. Se cada um tivesse feito o seu trabalho, no seu quadrado, teria sido muito melhor.

Como evitar isso?

1. Fuja da laranja podre. Todos nós sabemos quem ela é. Esqueça de chamar, marque para um horário difícil pra ela, convoque para outra coisa importante no mesmo horário.

2. Se ela for ineludível, tenha um bom mediador. Combinem estratégias para neutralizá-la. Use os seis chapéus para cortar as más iniciativas. Use técnicas de escrita para boa parte do processo (as laranjas podres gostam de FALAR, não de escrever). Neste vídeo, o professor Leigh Thompson, da Universidade Kellogg, ensina uma bela técnica de Brainwritting.

3. Se ela for uma laranja daquelas bem poderosas, impossíveis de evitar, planeje o seu afastamento. O seu, não o dela. Diga que o problema é você, que adoraria seguir, mas tem outros planos. Mude de projeto, de time. Em último caso, de empresa. Não, não peça demissão amanhã. Mas pense com calma e trace outra estratégia para a sua trajetória. Energia criativa não é pérola para se desperdiçar com porcos.

Se você deseja inovar, saiba que criar é um processo, e tem método. Não é mágica. Mas vamos falar disso nos próximos artigos. Conecte-se para não perder:

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