OK, a SXSW é muito legal. Mas como isso afeta meu negócio?

by Luciane Aquino

Por Luciane Aquino 

Só há duas maneiras de sair da South by Southwest (SXSW): assustado ou animado. Isso porque uma experiência no maior festival de inovação do mundo, realizado anualmente em Austin, nos Estados Unidos, implanta na sua mente a certeza de que o mundo vai mudar radicalmente nos próximos anos, com consequências difíceis de imaginar.

Em 2005, o futurista Ray Kurtzweil previu que a singularidade chegaria na primeira metade do século XXI, trazendo três grandes e radicais transformações:

  • A compreensão completa da biologia nos permitirá praticamente eliminar as doenças, estender muito o tempo médio de vida e aumentar radicalmente o potencial humano;

  • A nanotecnologia redesenhará e reconstruirá o corpo e a mente, inclusive conectando o nosso cérebro diretamente com a Inteligência Artificial;

  • As máquinas terão uma capacidade de processamento e inteligência superiores à humana, e serão capazes de se responsabilizar pela própria evolução.

A cada ano, a SXSW nos prova que Kurtzweil pode errar uma ou outra data (ele tem todo um cronograma para cada detalhe dessas evoluções), mas que está longe de estar louco. Nos 2,5 mil debates e palestras realizados em Austin, temas como viajar a Marte, ler pensamentos e editar o genoma humano são papo de bar, tratados com a maior naturalidade. (Achando que é exagero? Esse kit educativo vendido pela internet por US$ 150 ensina a editar o genoma de uma bactéria. Compre para as crianças: no futuro, pode ser útil ter alguém que saiba fazer engenharia genética em casa.)

Nessa batida, fica uma certeza: a revolução digital que conhecemos hoje, a partir da qual nos relacionamos com o mundo através das telinhas, vai terminar. Sabe aquela busca no Google em que ficamos tentando adivinhar como o algoritmo “pensa” para que possamos encontrar o que desejamos? Pois é, vai terminar. Aliás, a busca, como conhecemos, também vai terminar, e será substituída por assistentes de Inteligência Artificial, em versões mais avançadas da Alexa e da Siri. No futuro, esses assistentes estarão dentro do nosso cérebro, implantados por nanotecnologia.

Mas… como essa loucura se conecta com a nossa vida? E como ela afeta o seu negócio?

Se você ficar parado no tempo, agarrado a um modelo que vem dando certo e achando que a vida está ganha, afeta e muito. Os bots, por exemplo, são uma realidade cada vez mais aperfeiçoada, e o atendimento via Inteligência Artificial vem sendo considerado uma tendência obrigatória para negócios e serviços digitais. Talvez os bots não decolem enquanto emularem diálogos de maneira tosca, mas daqui a pouco alguém vai encontrar o caminho certo e quem não seguir rápido vai ser patrolado. A realidade virtual também deve deixar o campo dos games e entrar com força em áreas como a Educação, a Saúde e a Venda de Produtos em que a experiência presencial antes era fundamental (como o mercado imobiliário, por exemplo). Mas a explosão só acontecerá quando vivenciar a realidade virtual deixar de ser algo tão complicado.

Essa regra (a de que é preciso encontrar um modo mais fácil, direto e barato de usar uma nova tecnologia) se aplica a todas as tendências de futuro. No geral, sabemos que as coisas vão mudar, mas não sabemos exatamente que formato ou experiência terão. O que nos leva à questão fundamental: dentro dessa incerteza, como podemos nos preparar para o futuro?

A resposta é simples: estando preparados para a mudança. Se você tiver que adotar três atitudes diante das revoluções que vêm por aí, eu diria que elas são:

  1. Levante da cadeira e saia do escritório. A velha máxima do Design Thinking segue valendo: são os seus clientes quem vão lhe mostrar como adotam cada tendência. Mas não se limite aos seus clientes atuais. Onde estão os potenciais? Que oportunidades lhe oferecem os avanços tecnológicos, diretas ou indiretas? Além disso, leia e vá a eventos. A verdade está lá fora.

  2. Trabalhe a sua visão de negócio, e esteja preparado para mudar a sua estratégia e os seus produtos a qualquer momento. Mantenha o seu portfólio de produtos vivo, e não tenha medo de dizer adeus aos que já deixaram de servir.

  3. Não se contente com uma linda e enorme base de dados: trate de produzir inteligência. Aqui, uma dica: traga para o seu negócio especialistas em tecnologia que saibam muito mais do que você, e que se dediquem a construir o futuro, e não a manter o presente. Se é você quem está contando pro seu cara de tecnologia sobre a singularidade, esse é um péssimo sinal.

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