Shenzhen, o Vale do Silício chinês

by organica

Shenzhen, China.

Nossa viagem através dos pólos de inovação ao redor do globo abandona os castelos medievais do Velho continente e desembarca nos portões dos templos chineses, a bola da vez é Shenzhen, o Vale do Silício asiático.

Não viu nossas duas primeiras paradas? Dá uma volta e confira o que Israel e Berlim estão trazendo de mais quente em relação a criatividade e inovação.

 

O Vale do Silício chinês

Cerca de 40 anos atrás, a cidade portuária de Shenzhen não passava de uma vila de pescadores, com cerca de 22 mil habitantes. Hoje, com seus quase 12,5 milhões de moradores, é apelidado de “Vale do Silício chinês” e ostenta um PIB similar ao da Irlanda.

 

O desenvolvimento do grande dragão chinês na economia global nos últimos 20 anos não é segredo para ninguém, mas, Shenzhen ocupa um lugar mais do que especial nessa trajetória, um ícone. A cidade foi escolhida para ser a primeira Zona Econômica Especial (ZEE) do país, enquadrada nas reformas de abertura econômica de 1978, pelo presidente chinês Deng Xiaoping.

 

Shenzhen se transformou num local endêmico para a produção criativa e pesquisa em inovação no país asiático, fato consumado e probatório disso é o avanço das taxas de crescimento na província (8,8%) uma das mais altas da China. A expectativa é que a cidade supere a terra dos gigantes, Hong Kong, até 2025.

 

Em 2017, o PIB ultrapassou os US$338 bilhões, batendo de frente com o tamanho da economia irlandesa, por exemplo, que gira na casa dos US$339 bilhões.

 

Se você pensa que o crescimento estratosférico do Silicon Valley chinês é unicamente graças ao desempenho do país na última década, pasme. Enquanto o Partido Comunista chinês escancara a “nova normal” de crescimento de 6,5% a cidade não deixa de pisar no acelerador.

 

Os “Shenzhenianos”, filhos de um mesmo sonho

 

Shenzhen possui uma característica peculiar quanto ao resto da China como um todo, o abraço aos migrantes e imigrantes. A província é um dos raros lugares onde não se ouve as palavras “bendiren” (local) e “waidiren” (forasteiro).

 

As políticas da ZZE levaram muitas pessoas com o sonho de enriquecimento para a região, um dos primeiros grandes movimentos foi a intensa especulação imobiliária que passou durante a reconstrução do vilarejo, o metro quadrado em um bairro nobre da cidade sofreu a incidência de quase 2.900% de valorização nos últimos 20 anos.

 

Hoje, os resquícios do vilarejo são simbióticos à história, sendo substituídos por grandes arranha céus, fábricas e centros de pesquisa.

 

Investimento em pesquisa e desenvolvimento

 

A cidade chinesa se transformou num hub de inovação dentro da Ásia, principalmente no aspecto de desenvolvimento de tecnologia e pesquisa em inovação, motivo do apelido postiço em referência ao Vale do Silício.

 

A região gasta quase 4,3% do seu PIB só nessas duas áreas, um dos mais altos índices do país. O leque de oportunidades gerado por esse alto investimento serviu como ponto de atração global para um segmento específico dentro da cultura de inovação, os makers.

O paraíso para a cultura Maker

 

Capital para produção e desenvolvimento, local para produção, baixo custo de hsopedagem e incentivo do governo chinês. Esses fatores somados fazem da cidade a terra prometida para qualquer um com uma ideia em mente e esforço para produzir.

 

A TroubleMakers, uma oficina no centro da cidade, não cobra nada para os makers se instalarem no espaço, o único acordo é um percentual de 15% caso o protótipo siga para fábrica de desenvolvimento.

 

Por meio dos makers, o governo de Xi Jinping pretende dar o grande salto tecnológico da “nova era”.

 

Seu habitat são essas estações de makers, às vezes andares inteiros de um prédio, subdividas em pequenas salas, com uma área comum descontraída e com cantinas, cafés, varandas, mesas de sinuca e pingue-pongue, onde essas cabeças que não param de criar se encontram para trocar experiências e fazer seu “guanxi” (ou rede de contatos, uma das primeiras palavras que quem quer entrar no mundo dos negócios chinês deve aprender). Muitas delas contam com algum tipo de subsídio do Estado.

 

Um pesqueiro certeiro para os grandes tubarões do mercado global

Shenzhen é o ponto perfeito para fisgar novas ideias sem um grande custo, gigantes como a Amazon ou a Taobao, costumam enviar olheiros atrás de novos gadgets ou soluções que encaixem como upgrade para seus modelos de venda online.

 

Todo maker na cidade sonha com uma oportunidade desse quilate, querem que suas invenções sejam descobertas, e muita gente trabalha para conectar essas novas ideias com o exterior.

 

Empresas de dentro e fora da China buscam mão de obra especializada em Shenzhen para montagem de diversos produtos, mais precisamente réplicas, de marcas conhecidas e renomadas.

Porém, na cidade, elas são conhecidas como “acréscimos mínimos”.

 

Um voto de silêncio

Existe um código de ética extremamente rígido na região, algo parecido com os votos de silêncio de alguns monges do Nepal ou do Laos, empresas grandes e pequenas trabalham muito para esconder os segredos de seus negócios, proibindo celulares e câmeras entre os funcionários.

 

Algumas das principais empresas de tecnologia na China tem base em Shenzhen; a BYD, maior fabricante de baterias recarregáveis do mundo – responsável por lançar um carro híbrido em 2011, a Huawei, fabricante de equipamentos de comunicação, a WeChat (um mix de Facebook e WhatsApp, com 900 milhões de usuários) e a DJI, maior fabricante global de drones civis.

 

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