O que vimos de China no SXSW 2019, o maior evento de inovação do mundo

Muito se falou sobre China no SXSW, que ocorreu em março em Austin, capital do Texas. Antes de irmos para o Southby deste ano já havíamos falado para os participantes do nosso grupo ficarem de olho em qualquer coisa que falarem de China. A dominação chinesa está acontecendo. A China é a segunda maior potência mundial e tem grandes planos de se tornar a maior economia do mundo até 2030!

A ascensão da China

A China foi super mencionada no SXSW. E não poderia ser diferente. O país que tem mais unicórnios do mundo, startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão, tem um potencial de execução tão rápido que está liderando grande parte das transformações em tecnologia e inovação.

A nação está crescendo em diferentes mercados. Amy Webb, uma das pessoas mais respeitada no mundo da futurologia, mostrou que o país não está se desenvolvendo somente com Inteligência Artificial em sua sessão deste ano no SXSW. A China é um importante polo de inovação em vários segmentos, como Cidades Inteligentes e Fazendas Subterrâneas.

Você pode conferir o Tech Trends Report 2019 da Amy Webb clicando aqui.

E conhecer no artigo de hoje as principais inovações discutidas sobre a China no SXSW 2019. Continue a leitura e confira!

Inteligência Artificial

O país que mais cresce no mundo também é a nação que mais investe em Inteligência Artificial. Mais do que todos os outros países juntos. A maioria dos gastos com anúncios na China já é digital. E atualmente 48% dos investimentos em startups de IA vêm da China.

Atendimento de lojas, restaurantes e até em rituais fúnebres são realizadas com a ajuda de robôs por lá. A China está construindo uma cidade três vezes maior que Nova York com as mais recentes tecnologias e inovações do mundo.

Confira estas duas sessões do SXSW 2019 disponíveis no Soundcloud:

>> How AI is Changing Advertising in China

>> Entrepreneurship in China: Will they Eat Your Lunch?

Para mais sessões que você ainda pode (e deve!) ouvir em casa clique aqui.

Cidades Inteligentes

O desenvolvimento das smart cities chinesas começou em 2012. O grande objetivo do país foi incentivar o uso da tecnologia mais recente, como a inteligência artificial e a Internet das Coisas. Hoje, a China planeja criar 100 novas cidades inteligentes até 2020. As cidades inteligentes são áreas escolhidas a dedo para serem modelo de desenvolvimento em tecnologia, desenvolvimento, inovação e sustentabilidade.

Shenzhen é um dos grandes exemplos de cidades planejadas e inteligentes do mundo.  Já falamos neste outro artigo aqui: Shenzhen passou por um dos maiores booms de desenvolvimento tecnológico e é considera a primeira Zona Econômica da China.

Até o fim dos anos 1970, Shenzhen era uma pequena vila de pescadores com cerca 30 mil habitantes. Hoje, a cidade se tornou uma das mais ricas e tecnológicas do mundo, contando com mais de 10 milhões de habitantes e alguns dos edifícios mais modernos do mundo. Grande parte dos eletrônicos que utilizamos são fabricados por lá.

Corrida Espacial

No dia 2 de janeiro deste ano, a China passou a ser considerada o terceiro país a pousar uma sonda na Lua, tornando-se a primeira a fazer isso do lado oculto da Lua. E não é só isso. Ela travou uma corrida espacial para construir fazendas internas e habitáveis na Lua!

A chegada da sonda chinesa na Lua marcou um importante capítulo da corrida espacial entre China, Estados Unidos e Rússia. As startups na China estão recebendo investimentos para acumular um orçamento de US$ 8 bilhões na área espacial e enviar chineses para a Lua na década de 2030.

Além disso, os chineses estão construindo infraestrutura e redes de network entre Ásia e América Latina, por exemplo.

Pessoas x Máquinas

Segundo Amy Webb, metade das interações das pessoas com máquinas, em países desenvolvidos, será mediada por voz até 2021. Os celulares com interfaces digitais já estão perdendo mercado e os novos devices vêm ganhando força com reconhecimento facial e de voz.

A Sense Time, unicórnio chinês líder mundial em Inteligência Artificial, está desenvolvendo um sistema para carros autônomos que analisa o que o motorista está sentindo, prevenindo acidentes e fazendo com que o passageiro tenha uma melhor experiência a bordo. Já o carro chinês Byton Car é um exemplo de veículo sem chaves, telas e botões. Ele só pode ser usado através de reconhecimento facial, smart cameras e outros sensores.

Fazendas subterrâneas

As mudanças climáticas dificultam a cada dia mais a produção e entrega de alimentos. Em 3 décadas isso se tornará um problema ainda maior. Desse modo, novos métodos de plantio e tecnologias estão sendo estudados.

A China está desenvolvendo está investindo em produções indoor, nas fazendas subterrâneas. Nos galpões, os vegetais são produzidos em maior volume, gastando 99% menos água e 40% menos energia.

Muitas tecnologias desta nova potência mundial ainda estão por vir até 2030. E você, está preparado para a dominação chinesa? De 7 a 14 de julho nós da Organica vamos viajar em grupo para a China.

Venha com a gente conhecer de perto o ecossistema de Shenzhen, o Silicon Valley chinês e participe da RISE Conference, o maior evento de inovação da Ásia. Clique no banner e saiba mais!

As sessões do SXSW que você ainda pode (e deve!) ouvir em casa

Nós, da Organica, preparamos um guia prático para ajudar você a assistir ou ouvir as palestras de maior repercussão do SXSW 2019. Afinal, o evento acabou mas deixa conteúdo suficiente para consumir durante o ano todo!

Algumas sessões estão disponíveis em vídeo no canal do festival no YouTube, e a maioria (mais de 2 mil) está já online no SoundCloud.

O SXSW irá disponibilizando gradualmente os vídeos das keynotes e das featured sessions (as mais importantes) ao longo do ano. As demais, normalmente, não são gravadas em vídeo, somente em áudio. Alguns conteúdos não serão publicados nem no YouTube nem no SoundCloud por razões de direitos autorais (como, por exemplo, o conteúdo da pesquisadora Brené Brown).

Principais sessões sobre tendências

Amy Webb – 2019 Emerging Tech Trends Report

O report completo de Tendências de Tecnologia 2019 – a base da apresentação que a futurista quantitativa Amy Webb faz há 12 anos – está neste link: https://futuretodayinstitute.com/2019-tech-trends/

7 Non-Obvious Trends Changing The Future In 2019

Os slides da apresentação de Rohit Barghava estão aqui: https://www.rohitbhargava.com/sxsw

SXSW 2019 – Digital Trends and the Impact of Privilege

Principais sessões sobre o futuro dos seres humanos

Esther Perel – What Business Leaders Can Learn About Workplace Dynamics from Couples Therapy

The Power of a Story with Susan Fowler

The War for Kindness: Building Empathy in a Fractured World

Is the Age of Empathy Dead?

The Art of Failure: Driving Creative Innovation

Empathetic Technology and the End of the Poker Face

Code Is Not Neutral: Ethics of Creating Software

Will Machines Be Able to Feel?

How AI Will Design the Human Future

Creativity in the Age of Invention

Lead from the Outside: How to Make Real Change

RIP Lesbian Bars: Creating Spaces For LGBTQ +WOMXN

Building Trust in Distrustful Times

Principais sessões com personalidades

Instagram Founders Kevin Systrom & Mike Krieger

Gwyneth Paltrow with Poppy Harlow

Shirley Manson & Lauren Mayberry with Puja Patel

Elisabeth Moss with Brandi Carlile

T Bone Burnett

https://www.youtube.com/watch?v=RnX-MYwk5Qw

Olivia Wilde

Priscilla Chan

MasterClass with Jodie Foster & David Rogier

Branding e marketing

How AI is Changing Advertising in China

Bozoma Saint John entrevistada pela supermodelo Ashley Graham

Branding is Sex, Get Your Customer Laid and Sell Anything

Shaping The Future of Shopping

Influencer Marketing in 2025: The Future of Human Media

Future of Retail – Exploring Enterprise Innovation

UX Hell to UX Sell: Lessons from 100,000 UX Tests

Biohacking e psicodélicos

Michael Pollan and Tim Ferriss

Biohacking for a Healthy Brain

Principais sessões sobre negócios & tecnologia

Joseph Lubin, cofundador do Ethereum e CEO da ConsenSys

Self-Driving Cars: The Future is When? with Malcolm Gladwell & Chris Urmson

Jeffrey Katzenberg & Meg Whitman – The Next Form of Storytelling: The Future of Technology-Enabled Entertainment, sobre a plataforma de vídeos curtos Quibi

CRISPR: Exploring the Line Between Human and Nature

Making the Fight Against Cancer Even More Personal

Roger McNamee with Nicholas Thompson

Defining Awe: The Science Behind Cirque du Soleil

Entrepreneurship in China: Will they Eat Your Lunch?

Howard Schultz – fundador do Starbucks, falando basicamente sobre a sua pre-candidatura à Presidência dos EUA

Jonah Peretti – CEO do BuzzFeed

The Second Golden Age of Audio—Podcasting

Confira as próximas viagens de conhecimento da Organica:

Quer conhecer de perto a dominação chinesa?

E participar do maior evento de inovação do mundo?

Dez livros para você ler na volta do SXSW

O SXSW acabou, mas a lista de vídeos, podcasts e livros para consumir na volta só cresceu! Nós preparamos uma lista de livros escritos por alguns dos principais palestrantes para quem quer manter a chama acesa durante o ano:

1.The Big Nine: How the Tech Titans and Their Thinking Machines Could Warp HumanityAmy Webb

Lançado durante o SXSW, o novo livro da futurista quantitativa Amy Webb analisa a influência das nove companhias mais poderosas do mundo no desenvolvimento da Inteligência Artificial e o risco que essa concentração representa. Estamos falando do Google, Amazon, Apple, IBM, Facebook, Microsoft, Alibaba, Tencent e Baidu.

Quem quer saber mais sobre Amy Webb também deve ler o seu livro The Signs are Talking, em que ela explica a sua metodologia quantitativa para identificar tendências de tecnologia.

Confira o Tech Trends Report 2019 da Amy Webb clicando aqui.

2. Non-Obvious 2019: How To Predict Trends and Win The Future – Rohit Barghava

Rohit Barghava publica desde 2011 um report que foge do habitual: em vez de focar nos avanços tecnológicos, ele destaca as mudanças comportamentais.

Os reports anuais dele são bem baratinhos e publicados em formato de ebook fácil de consumir no Kindle, da Amazon. Quem tem curiosidade de conferir as edições anteriores pode encontrar todas aqui.

3. Esther Perel

A terapeuta de casais que já foi um hit no SXSW pelo segundo ano seguido ainda está trabalhando no seu livro sobre a importância dos relacionamentos pessoais no ambiente de trabalho, mas vale a pena conferir as duas obras anteriores dela, ambas publicadas em português: Casos e Casos (uma tradução infeliz para o título “The State of Affairs – Rethinking Infidelity”) e Sexo no Cativeiro. Clique aqui se quiser ler os originais em inglês, esta é a página dela na Amazon.

Perel também mantém um podcast superpopular, que vale a pena conferir.

4. Dare to lead – Brené Brown

Autora de diversos bestsellers, a pesquisadora Brené Brown, especialista em temas como vulnerabilidade, coragem, vergonha e empatia, arrancou lágrimas do público defendendo a ideia de que devemos ter coragem para sermos nós mesmos e para nos aproximarmos mais dos que amamos. Ela tem vários títulos publicados em português, mas o último livro dela, Dare to lead (Ouse Liderar), por enquanto, só em inglês.

Em abril, a Netflix vai publicar um especial com Brown chamado The Call to Courage.

Também vale a pena assistir ao TED da Brené Brown, que é de 2014 mas segue valendo.

5. Wisdom at Work: The Making of a Modern Elder – Chip Conley

Depois de vender a sua companhia de hotelaria aos 52 anos, Conley decidiu ser estagiário do AirBNB, respondendo a um CEO que tinha idade para ser seu filho. Lições aprendidas: com equipes e líderes cada vez mais jovens, a Nova Economia demanda a reintegração de valores que os mais velhos têm melhores condições de entregar, como humildade, inteligência emocional e sabedoria.

6. How to Change Your Mind: What the New Science of Psychedelics Teaches Us About Consciousness, Dying, Addiction, Depression, and Transcendence – Michel Pollan

Com uma deliciosa erudição e um pensamento lógico irreparável, Michel Pollan conta nesta obra o seu mergulho investigativo – e as suas experiências pessoais – no mundo do tratamento de doenças mentais com substâncias psicodélicas.

Vale a pena conferir as outras obras polêmicas de Pollan, um defensor das experiências ancestrais da humanidade com a comida.

Também recomendamos a série de Pollan na Netflix, que se chama Cooked.

7. Lifescale: How to Live a More Creative, Productive, and Happy Life – Brian Solis

Solis fez no SXSW uma apaixonada defesa do abandono das distrações digitais em favor do relacionamento humano e da criatividade. Aqui, todos os livros de Solis.

8. Wise Guy – Lessons from a LIfe – Guy Kawasaki

Ele fez parte do time que desenhou o Macintosh em 1980 e é o fundador do Canva. Nessa autobiografia, conta histórias que vão desde o relacionamento pra lá de sincero com Steve Jobs até sobre como é ser confundido na rua com Jackie Chan.

9. Bring Your Human to Work: 10 Surefire Ways to Design a Workplace That Is Good for People, Great for Business, and Just Might Change the World – Erica Keswin

O título já explica tudo: Keswin defende que, em tempos de automatização, os humanos seguem sendo o maior fator crítico de sucesso para uma empresa

Este ainda não foi lançado, mas está na nossa fila de leitura desde já:

10. The End of Killing: How Our Newest Technologies Can Solve Humanity’s Oldest Problem – Rick Smith

Smith, que é fundador da Taser (aquela arma que imobiliza com impulsos elétricos), defende a tese de que estamos a ponto de não precisar mais de armas que matem – o que suporá uma mudança radical na nossa concepção de violência.

E você, que livros recomenda para leitura em 2019?


Confira as próximas viagens de conhecimento da Organica:

Quer conhecer de perto a dominação chinesa?

E participar do maior evento de inovação do mundo?

Por que uma viagem ao SXSW deve ser feita em grupo

Eu já fui ao South by Southwest (ou SXSW), em Austin, nos EUA, em viagens nos mais diversos formatos: como executiva de multinacional, integrando um grupo de diretores, como viajante solo, durante um ano sabático, e, nas últimas vezes, com os meus sócios e um grupo de clientes, parceiros e amigos com quem compartilho a visão sobre esse novo mundo que se aproxima. Com esse histórico, acho que já posso afirmar com segurança que essa é uma viagem para ser realizada em grupo.

A primeira razão é até contraditória: como o SXSW tem literalmente dezenas de opções de programações simultâneas, cada pessoa vive o festival de uma maneira completamente diferente da outra. Se você estiver com 30 pessoas, pode ter certeza de que o grupo viverá 31 SXSW completamente diferentes. Durante o dia, vocês se perderão uns dos outros e se encontrarão várias vezes, trocando de salas, de prédios, procurando comida ou um banco para sentar.

Essa “trip” individual é justamente o que possibilita a segunda boa razão para viajar em grupo: a construção de um conhecimento coletivo. No final do dia, em torno de uma mesa, as histórias surgem e as peças começam a se encaixar. A sessão que um viu complementa o filme que o outro assistiu, o livro que alguém leu enriquece a pesquisa que está sendo realizada por outra pessoa. A 6th Street, coração da vida noturna da cidade, não é só lugar de agitação para espantar o cansaço, ela é quase uma catedral de insights. É onde o que todo mundo aprendeu durante o dia se sedimenta.

É uma experiência ao mesmo tempo coletiva e extremamente individual. Austin, aliás, é uma cidade que favorece essa reflexão solitária. Bares, parques e cinemas convidam para um mergulho reflexivo, e não são poucas as pessoas que saem de lá decididas a mudar algo em suas vidas. É um local onde a ficha cai. Pergunte por aí e você ouvirá várias histórias.

Isto dito, listo alguns conselhos para você programar a sua viagem em grupo para o SXSW em 2020:

1. Confie na diversidade. Viaje com gente inteligente e com backgrounds variados, que tire você da programação óbvia e ofereça visões novas sobre o mundo. O SXSW não é lugar de saber mais sobre o que você já conhece, é para você aprender o que nem sabia que existia.

2. Reserve um tempo para você. Deixe a ficha cair.

3. Não fique só no seu grupo, se misture. Se não for pedir demais, não fique só entre os brasileiros.

4. Ao voltar para casa, compartilhe o que você aprendeu e mantenha a chama acesa para o ano seguinte.

Artigo publicado originalmente na Época Negócios.

Na era da tecnologia, o próximo desafio são os humanos

Era de se imaginar que as palestras de abertura da SXSW 2019 (South by Southwest), que começou ontem em Austin, nos Estados Unidos, fossem sobre algum dos grandes avanços tecnológicos. Temas não faltam: inteligência artificial, computação quântica, edição genética. As duas primeiras estrelas do maior evento de criatividade e inovação do planeta, no entanto, dominaram o palco principal para falar de… emoções humanas.

Essa tendência tem sido clara desde a edição de 2018. Estamos em um momento único, em que o caminho das inovações tecnológicas começa a ficar mais claro e fica evidente que boa parte do que vemos há décadas nos filmes de ficção vão mesmo acontecer, e logo: robôs cada vez mais presentes em todas as áreas, máquinas mais inteligentes do que o homem e capazes de aprender e evoluir sozinhas, a eliminação de doenças e até carros voadores. É tudo questão de tempo. O maior desafio agora é sobre como vamos lidar com tudo isso.

Ou, como resumiu a segunda palestrante de ontem, a psicoterapeuta Esther Perel: “Estamos desesperados buscando humanização enquanto estamos construindo uma sociedade cada vez mais desumanizada.” Perel, que é terapeuta de casais e que já tinha sido uma das atrações mais aplaudidas da edição passada ao falar sobre as relações conjugais modernas, voltou este ano para falar sobre a importância nas relações interpessoais no trabalho, e o quanto isso vem mudando por causa da mudança nas nossas relações fora do trabalho. “Nós nunca na história depositamos tanta expectativa no trabalho”, disse Perel. “Nós queremos que ele se adapte a nós, que nos traga reconhecimento, que esteja de acordo com o nosso propósito. Há alguns anos, as pessoas trabalhavam para colocar pão na mesa, e não por razões emocionais.”

A palestrante de abertura foi a pesquisadora Brenè Brown, famosa por seus best-sellers sobre vulnerabilidade e pertencimento, e com várias obras traduzidas no Brasil. Em uma narrativa que levou várias das 4 mil pessoas às lágrimas, Brown fez uma apaixonada defesa da necessidade dos seres humanos de se conectar, de dialogar e, principalmente, de ter a coragem de serem elas mesmas. “Seja você mesmo. É a única coisa que você vai fazer bem. Você será péssimo em todo o resto que tentar.”

Na era da tecnologia, o próximo desafio parece ser mesmo os humanos.

Artigo publicado originalmente no B9.

Finalmente South by Southwest

“South by WHAT?” Foi a indagação de um amigo que estava voltando de Dallas para São Paulo no mesmo voo que eu.

Claro, estufei o peito e disse: “S O U T H B Y S O U T H W E S T, ou como os brasileiros gostam de falar, SXSW.” Como a cara de interrogação continuou, e eu só consigo manter minha pose por um curto período de tempo, contei que era um festival de música, filme e principalmente inovação, focado em tendências emergentes de tecnologia, que acontece desde 1987. Abaixei a guarda e disse que eu mesma só fui escutar sobre o evento em 2017 e que “finalmente”, esse ano, decidi conferir. Eu e mais 1500 brasileiros, de acordo com as estatísticas whatsappianas.

A experiência é pra lá de envolvente. Assistir à futurista Amy Webb ao vivo sobre as principais tendências e seus possíveis cenários, é de arrepiar. Ter a oportunidade de escutar Mike Krieger e Kevin Systrom, co-fundadores do Instagram, é outro privilégio. Mas talvez ver a exposição de uma impressora de sushi pode fazer com que você questione a visita. Brincadeiras à parte, essa é uma conferência que vale a visita para os entusiastas do tema, pelo menos uma vez na vida.

As chamadas para inovações tecnológicas, no entanto, não impressionam. Na verdade beiram o tédio uma vez que hoje temos acesso às novidades desse tipo quase que em tempo real.

O que realmente chama a atenção é ter Brene Brown abrindo o evento, sendo ovacionada quando fala sobre o real pertencimento de uma pessoa e como é importante que nos mantenhamos íntegros na nossa relação conosco e com o outro. Ou ainda, a psicóloga Esther Perel falando sobre a correlação de performance com as relações no trabalho e brincando com a necessidade de um CRO (Chief Relationship Officer) nas empresas.

Chamam a atenção os inúmeros painéis políticos, muito povoados pela esquerda norte-americana e absolutamente lotados. Encanta ver Howard Schultz falando sobre capitalismo consciente e sua possível candidatura à presidência dos EUA e se sair muito bem nas respostas ao entrevistador, Dylan Byers, que tenta amassá-lo em relação às chances reais de uma candidatura independente em um país polarizado. Alguém esqueceu de avisá-lo que o SXSW é um evento que estimula o empreendedorismo, mudanças e quebra de paradigmas!

Outro painel impactante foi do Roger McNamee, ex-mentor de Mark Zuckerberg, gritando por uma nova visão para o uso de dados pelas grandes empresas (Google, Amazon e Facebook) e apoiando a visão de Elizabeth Warren e de tantos outros, de que o poder dessas grandes empresas machuca as pequenas e inibe a inovaçãode maneirarelevante. Ela escreveu sobre isso recentemente, em um artigo interessante e polêmico https://medium.com/@teamwarren/heres-how-we-can-break-up-big-tech-9ad9e0da324c_). Mc Namee ainda chama a atenção para idiossincrasia e incoerência da sociedade e reguladores americanos (também aplicável para o Brasil) em relação à complacência com essas empresas.

Nas palavras dele: “I want to clear space for startups, for innovation, for alternative business model” e ainda “(…) Why is it legal for cellular companies to sell our location? Why is it legal for companies that make apps for health and wellness to sell or trade our health and wellness day? Why is it legal for anybody on the web to transact in our web history? Why is it legal for any way to even collect data on kids under 18?” Em síntese ele questiona como ainda é permitido, legalmente, que as empresas acessem e vendam nossos dados de maneira tão abrangente, incluindo os dados dos menores de 18 anos. Não é um debate novo, mas na visão dele, pouquíssimo tem sido feito a respeito.

Para além das polêmicas rolaram várias palestras sobre futuro do trabalho, varejo, saúde, blockchain, AI, exploração espacial e marinha, alimentação e formas de produção, indústria, design e diversos outros temas incluindo uma interessantíssima com Michael Pollan sobre estudos científicos do benefício de uso de psicodélicos em tratamentos psiquiátricos, como alcoolismo, por exemplo.

Termino, porém, contando da minha última palestra, com Chip Conley, cujo tema era “a economia digital não é apenas para os jovens”. Durante uma hora, com a sala cheia, ele falou da importância da troca entre empresários mais velhos – e de acordo com ele, se você tem 40 anos e está numa sala com vários garotos de 20 anos, não se engane, você é o idoso – com os “moleques brilhantes da tecnologia”, numa espécie de mentoria de mão dupla.

Ele atenta ao poder da combinação da curiosidade com sabedoria acumulada dos “velhos atuais”, reciclando o conceito de “knowledge worker” (trabalhadores do conhecimento) de Peter Drucker, para “wisdom workers” (trabalhadores da sabedoria), contrapondo que “o conhecimento está no google” e que o que importa hoje é a capacidade de reconhecer os padrões que nos ajudam a criar uma visão e compreensão holística de situações e a proporcionar soluções sistêmicas. E isso, os mais experientes tem de sobra.

Cheguei em Austin esperando uma experiência estilo Jetsons, mas posso dizer que ao invés de ir às palestras de uber voador, acabei tomando um cafezinho sincero com a Judy e ganhando uma carinhosa lambida do Astro. A perspectiva humana falou mais alto no SXSW 2019. Discutimos nossas relações pessoais, políticas, profissionais, e claro, a nossa relação com a tecnologia. São os novos velhos desafios!

SXSW Tendências por Organica – Dia 6

Hoje é o último dia do SXSW. Nosso grupo já está se despedindo e a eprimeira viagem de conhecimento da Organica está chegando ao fim.

No SXSW descobrimos o maior desafio que enfrentaremos nos próximos anos: os seres humanos. Nosso grande obstáculo não é o desenvolvimento de novas tecnologias, e sim, sabermos como nos adaptar a elas.

Este ano o SXSW está muito mais crítico e reflexivo. Percebemos que ele não só apresenta as novas tecnologias, como também promove diversos questionamentos a todo tempo.

Confira as principais pílulas do 5º dia do SXSW e o que vai rolar por aqui nesse último dia de evento!

Conteúdo para quem não tem voz

Além de atriz, Zoe Saldana é empreendedora e ativista. Por querer dar voz a quem não tem, ela fundou a BESE, uma empresa que produz conteúdo feito por e para mulheres, latinos, negros e LGBTs. Ontem na sua sessão a atriz disse para as pessoas simplesmente fazerem quando querem começar algo, por mais difícil que pareça. Zoe ainda defendeu a igualdade entre todos, independente de seu berço e das suas preferências.

“Se vc me pergunta como fazer para ter mais empresas inclusivas, faça a sua empresa. Eu estou fazendo a minha.”

Distrito entrevista Guy Kawasaki

Guy Kawasaki é um dos maiores conselheiros de empreendedorismo do mundo. Em entrevista durante o SXSW, ele compartilhou com o Distrito um pouquinho de sua sabedoria sobre redes sociais. Além de posts sobre o SXSW, nosso media partner Distrito tem publicado diversos vídeos e entrevista no seu Instagram.

Confira o vídeo clicando aqui.

Empatia em um mundo fraturado

Para Jamil Zaki, psicólogo líder mundial em ciência da empatia, a empatia é uma habilidade e pode ser desenvolvida. Cada um tem um ponto de partida para desenvolvê-la. Apesar das condições sociais que nos ajudaram a desenvolver a empatia estarem desaparecendo, ela não é apenas um recurso precioso, é também renovável.

Construindo confiança em tempos de desconfiança

O fundador do PostSecret, Frank Warren, e o autor de best-sellers do New York Times, Neil Pasricha,  se reuniram para discutir sobre as novas maneiras de construir confiança em uma era de desconfiança. Warren disse que vê muitos sites de uma página só que não têm informações de confiança de quem somos, qual a missão da empresa e quais são os valores. Para ele, um site deve ser mais pessoal e íntimo para criar empatia nas pessoas.

“Em uma era de bots, nós acreditamos em humanos”, declarou Neil Pasricha.

Acontece hoje

Futuro da comida

Com o rápido desenvolvimento em Big Data, Robótica, Biologia Celular, veículos sem motoristas, uso de sensores e agricultura sem solo, o que muitos já chamam de “A Quarta Revolução Agrícola”, está se tornando uma realidade. A sessão reunirá especialistas no campo das interações homem/tecnologia, comportamento do consumidor, produção de alimentos, cientistas, acadêmicos e a indústria de alimentos.

Razões para ser alegre

Em janeiro de 2018, o Grammy, o Globo de Ouro e o premiado músico, cineasta e escritor David Byrne lançaram um projeto multimídia chamado “Reasons To Be Cheerful”. David compartilha exemplos bem-sucedidos e replicáveis de mudanças positivas nas áreas de Clima/Energia, Cultura, Economia, Educação, Saúde, Ciência/Tecnologia e Transporte buscando lidar com o que está acontecendo no mundo.

Design para os cinco sentidos

Bruce Mau, designer de experiência humana, busca desafiar as pessoas para usar o design para melhorar o mundo. Bruce aplica sua metodologia de design thinking em projetos de mudança econômica, cultural, governamental, ambiental e social e acredita que uma experiência multisensorial da marca é algo essencial.

Happy Hour brasileiro

Hoje acontecerá o happy hour da Casa Brasil no SXSW. O evento contará com alguns dos melhores profissionais brasileiros de negócios relacionados à economia criativa e à tecnologia. Oportunidade para reforçar o networking.

RSVP aqui.

A tecnologia é a parte fácil, a disrupção é Cultural

Primeiro dia de viagem para SXSW, 50 pessoas na sala, organicos, diretores de empresa, empreendedores e startupeiros. Organizamos um rito para que todos se conhecessem, em que basicamente a pessoa precisa dizer ao grupo:

  • três palavras que a definem;
  • uma dor;
  • e uma missão para o futuro.

Primeiro ponto que me chamou muito atenção foi que grande parcela do grupo tinha a mesma e profunda dor: gestão do tempo.

No segundo exercício, mais prático, preparamos o mindset do grupo para o evento aqui em Austin, que diferentemente da maioria dos eventos de negócio, não tem uma trilha clara e definida, exige um mínimo de planejamento e uma boa dose de flow.

Após minha sócia e nossa curadora Luciane Aquino apresentar como ninguém as diversas possibilidades para o planejamento, Murilo Gun, cliente, companheiro e amigo, dividiu a importância do Acaso, de deixar acontecer.

Feita a introdução, eu me preparei de maneira diferente para esse evento.  Resolvi que iria ser mais incisivo e participativo em redes sociais. Peguei uma das minhas contas do insta – @roni_cunhabueno – e decidi que ela seria profissional agora. Com pouco mais de 400 seguidores (como uma fã uma vez me falou “só issuuu…”), resolvi “fazer direito”.

Durante os dias 9 e 10 de março, comecei a postar como profissional, sei como se faz. E, batata… Likes, novos seguidores, pessoas que não me viam há muito tempo comentando, pessoas me chamando para um café aqui em Austin, pois tinham visto minhas postagens, pessoas me chamando para um almoço no retorno à São Paulo. Enfim, funcionou, ou pelo menos eu achava.

A real é que aquilo estava me incomodando, não era meu natural,  ficava mais preocupado com o post do que com o conteúdo que estava ali na minha frente acontecendo. Na noite do dia 10 confessei isso para minha mulher, minha par, minha coach. Em dois minutos com ela, percebi um primeira luz de que não estava legal e parei gradativamente de postar.

O que viria acontecer no dia 11 seria mágico. Acordei com as duas câmeras do celular sem funcionar. “Putz, que merda”. Já na primeira palestra me deu vontade de clicar… eram os fundadores do Insta… mas não podia… kkkk… não tinha como, mesmo que eu quisesse postar a foto deles não conseguiria. kkkk.

Ainda um pouco injuriado, percebi que tinha que passar em uma Apple Store, pois aqui eles trocariam no mesmo momento, quando no Brasil seriam alguns dias sem telefone. Estava esperando a condução para o shopping chegar quando encontrei Murilo G. Contei o ocorrido… e ele falou: “Lembra? É o acaso, vai ver que não é para vc tirar mais foto”.

Fui à loja, trocaram por uma novo iphone, mas como o Wi-Fi da loja estava congestionado não consegui baixar tudo para fazer o celular funcionar. Cheguei no Hotel e mesmo problema. Fiquei sem celular.

E aí? Para onde vou agora? Sem Whats para saber onde as pessoas estão e o que estão fazendo, para onde vou, o que eu faço?

Resolvi o mais óbvio: eram 21:30 e eu estava com fome, desci e fui comer no restaurante do hotel. E lá na primeira mesa estava Flavia Barros, da Orgânica. Opa, alguém para jantar, pensei. Ao sentar, ela se queixou do mesmo problema, tinha comprado um iphone novo, mas não conseguia baixar os APPs para uso.

E, sem telefones, sem nenhuma distração, pois não conhecíamos mais ninguém, tivemos um jantar de verdade. No início os dois com um pouco de FOMO, pensando: cacete, estamos perdendo muito de coisas que estão acontecendo agora em algum lugar.

Depois de 15 minutos, começamos a conversar, olha só, e falamos de coisas profundas. Foi uma verdadeira Real Reality. Sim, já existe um termo para descrever momentos de desconexão virtual e alta conexão real.

Ao final daquelas horas, tínhamos rido, chorado, berrado, e de verdade emocionado.

E aí caiu a ficha.

O quanto de potencial perdemos com as microinterferências que constantemente tiram nosso foco do momento presente.

O quanto de inovação perdemos com as inúmeras respostas rasas que damos a cada segundo a micro soluções.

O quanto de autenticidade perdemos quando queremos mostrar para outro algo que alimenta nosso ego.

A real é quanto tempo de qualidade você perde.

E aí não é de assustar que esse seja a dor número do grupo que veio conosco e que o tema da relação dos seres humanos seja o assunto mais tratado em palestras aqui em SXSW, ano passado já apontava como um dos top 5 temas, esse ano é O TEMA. Teve até palestrante confessando que colocou o tema sobre Inteligência Artificial só para ser aceito, mas o que ele queria mesmo falar era sobre pessoas.

A tecnologia é a parte fácil, a disrupção é Cultural.

Nós na Organica acreditamos profundamente nisso, acreditamos que a transformação digital de uma empresa vem do seu propósito aplicado a uma cultura alinhada aos 7 Princípios da Nova Economia e Modelos de Gestões modernos que aprofundamos no livro Mude ou Morra.

Essa viagem para SXSW só reforça ainda mais que estamos com os modelos corretos para construir caminhos de crescimento na nova economia.

Muito grato por todos os palestrantes que vi, e principalmente a todos os amigos e parceiros que me proporcionaram um café, almoço, jantar, HH e baladas; uma conversa, um jogo, uma troca, um abraço, uma risada e uma verdade bem dada.

SXSW Tendências por Organica – Dia 5

As sessões do SXSW 2019 abordam alguns dos grandes avanços tecnológicos atuais, como: inteligência artificial, blockchain, edição genética, computação quântica, entre outros.

Mas entre todos estes avanços qual seria o grande desafio da humanidade? Pelo que vimos até aqui, o nosso grande desafio não é o desenvolvimento de novas tecnologias, e sim, sabermos nos adaptar a elas. Os seres humanos são o grande desafio atual!

Confira as principais pílulas do 4º dia do SXSW!

Entrevista com Gabriel Weinberg

O Distrito trocou uma palavrinha rápida com Gabriel Weinberg, autor de Traction: How Any Startup Can Achieve Explosive Customer Growth, um dos maiores livros sobre crescimento de startups dos últimos anos. Segundo Weingberg, existem 19 canais diferentes para  ganhar tração. Clique aqui e confira o vídeo.

O próximo desafio da humanidade

Luciane Aquino, sócia da Organica e especialista em tendências, publicou um artigo no B9 sobre o novo o grande desafio da humanidade de se adaptar às novas tecnologias. No texto, Luciane conta que as duas primeiras estrelas do SXSW, Esther Perel e Brené Brown, dominaram o palco principal para falar de emoções humanas. Confira o artigo clicando aqui.

Mercado de bem-estar e espiritualidade

Gwyneth Paltrow falou em sua sessão de ontem sobre como lidar com as responsabilidades da carreira artística, de estar com a família e, entre diversas outras coisas, ainda criar o Goop, uma marca que vende produtos ligados a bem-estar, espiritualidade e estilo de vida. Gwyneth também falou sobre o novo projeto da Goop com a Netflix, uma série sobre bem-estar, e do desejo em investir em produtos ligados a maconha.

Novos caminhos do Instagram

Os fundadores do Instagram, Kevin Systrom e o brasileiro Mike Krieger, lotaram a sessão. Eles saírem da empresa e atualmente estão em um período sabático por não concordarem com os rumos que a rede social tomou. A empresa foi comprada em 2012 pelo Facebook.

“Você não conhece a alma do seu negócio até fazer mudanças e ver o que as pessoas gostam”, Mike Krieger.

O que vai rolar hoje

Mudando a narrativa

A atriz Zoe Saldana se tornou empresária na sessão de hoje discute a importância das mensagens positivas em plataformas sociais para os millennials e geração Z. Zoe criou a empresa de mídia BESE e conta como ela está lidando com o desequilíbrio que existe hoje na grande mídia enquanto empreendedora.

Confiança na mídia

Criar confiança e desenvolver a comunidade que a rodeia é fundamental. Mas a confiança na mídia, nos negócios e no governo está cada vez menor. O fundador do PostSecret, Frank Warren, e o autor de best-sellers do New York Times, Neil Pasricha,  buscam discutir na sessão sobre as novas maneiras de construir confiança e comunidade online em uma era de desconfiança.

Construindo a empatia em um mundo fraturado

A empatia está em falta. Em sua sessão, Jamil Zaki, líder mundial em ciência da empatia, fala sobre a habilidade de cuidar que podemos cultivar através da prática. Com base em pesquisas, incluindo experimentos de seu próprio laboratório, ele demonstra como a empatia pode superar as divisões culturais tóxicas.

Floripa Conecta

Hoje, às 18h, vai acontecer a soft party de lançamento do Floripa Conecta no rooftop da Dropbox. O Floripa Conecta promete ser  um hub de eventos e um movimento de conexão do Vale do Silício brasileiro com o mundo.

Clique aqui e confira como foi o Dia 6.