Gestão de Pessoas não é só papel do Rh – 5 insights do nosso Meetup

Nesse mês de novembro rolou nosso meetup “Gestão de Pessoas não é papel só do Rh”, onde quatro convidados que são referência no tema Pessoas apresentaram tendências e reflexões dessa área. Estamos em um momento no mercado, que cada vez fica mais evidente a importância da gestão centrada no colaborador e, por isso, preparamos cinco insights desse encontro:

1. A transformação digital é sobretudo, humana.

Grande parte das empresas começam a transformação digital pensando nas tecnologias que acreditam precisar nesse processo, mas o principal ponto a ser considerado deve ser o mindset das pessoas. Há uma mudança de paradigmas e formas de fazer na transformação digital que exige uma série de habilidades e competências específicas para lidar com ela e as pessoas envolvidas precisam entender o panorama completo e suas implicações, bem como mudar sua forma de pensar para que a transformação seja real. São as pessoas que farão as coisas acontecerem, então foco nelas!

2. O papel do RH é empoderar as lideranças para que a Gestão de Pessoas não fique em uma só área.

Por muito tempo a gestão de pessoas ficou confinada na área de Recursos Humanos, entretanto, observamos que com um mundo cada vez mais complexo e relacional, essa competência precisa permear todas as áreas através de seus líderes. Com isso o RH assume um papel de protagonismo onde, tendo em mãos a sistematização de Gestão de Pessoas deve capacitar e disseminar esse papel para que todos possam exercê-lo, contribuindo para times cada vez mais autônomos e efetivamente centrados no colaborador.

3. Para criar engajamento é necessário criar espaços de escuta e troca com os liderados.

Todas as pessoas possuem dois grandes desejos básicos: evoluir e serem aceitas como são. O ambiente de trabalho pode ser um grande catalizador desses desejos de maneira positiva ou negativa. Espaços que não valorizam a diversidade, não compartilham informações e não criam juntos afasta o engajamento do time, por outro lado, se a empresa cria ambientes onde os colaboradores podem ser quem são, busca soluções coletivas e efetivamente escuta as pessoas, irá ter times cada vez mais integrados e que se sentirão parte de um todo, favorecendo o andar em bloco. Essa relação é típica ganha-ganha: empresa mais produtiva e inovadora e colaboradores com maior senso de pertencimento e conexão com o todo.

4. Hoje as empresas precisam inspirar seus colaboradores.

Uma grande preocupação das empresas hoje está relacionada a retenção de pessoas. Em um cenário em que os profissionais buscam cada vez mais propósito e desenvolvimento pessoal em seus trabalhos as organizações precisam criar formas de encantar e inspirar as pessoas para que elas escolham dividir suas jornadas com a empresa. A inspiração surge da proposta de valor clara que a empresa oferece aos seus clientes e que precisa se conectar com o propósito de seus colaboradores, além de um grande alinhamento de valores e possibilidade de aprendizado constante.

5. A Nova Economia precisa de líderes corajosos, muitas vezes será necessário desconstruir para construir.

A constante da Nova Economia é a mudança. É preciso entender e aceitar que muitas vezes o que planejamos e construímos precisará ser desfeito, revisto e melhorado e está tudo bem. Líderes na Nova Economia precisam abraçar a incerteza, usar o erro como aprendizado e ajustar rápido e esse movimento exige coragem. Coragem tem a ver com assumir o protagonismo mesmo sem saber o resultado, confiar nas pessoas a sua volta e ser um meio para que elas manifestem seu melhor potencial. Fomentar comunidades e trabalhar em benefício do coletivo pois, como dizemos na Organica: “Sozinhos vamos mais rápido, mas juntos vamos mais longe.”

O que você achou dos insights listados acima? Concorda que a gestão de pessoas não é só papel do RH? Como funciona na sua empresa? Fale com a gente nos comentários caso tenha ficado com alguma dúvida ou se gostaria de fazer alguma observação. Teremos prazer em ajudá-lo. Até a próxima!

Sucesso é estar no lugar certo, e o que é estar no lugar certo?

O trabalho é um dos fatores primordiais para que as pessoas se sintam úteis e colaborativas. É através dele que se obtém o sustento financeiro e, muitas vezes também, o emocional. Além disso, é no trabalho que se vislumbra a possibilidade de conquistar o reconhecimento externo, como se isso representasse e afirmasse para o mundo o seu valor e diferencial como pessoa. Mas qual será o motivo de tantas pessoas encontrarem dificuldade na relação com o trabalho? Será que você já pensou sobre o seu verdadeiro valor e se o seu emprego realmente está lhe proporcionando se expressar com autenticidade?

Essa resposta pode ser a cura para toxicidade empresarial.

Cada profissional desenvolve sua forma específica de se apresentar no âmbito corporativo, quase que uma persona particular, na qual, atrás dela, existe uma alta cobrança em relação à sua entrega e adaptação ao meio. O que isso significa? Que a maior parte das pessoas tenta ser o que o meio exige, acreditando ser a única forma de conquistar admiração e se sentir valorizada.

Pesquisas mostram que, em diversos países, é evidente nas empresas o aumento de estresse ocupacional nos últimos anos. A busca por melhor desempenho e os desafios cada vez maiores são apenas alguns dos pontos que definem comportamento e habilidades que precisam ser trabalhados.

Segundo Cecília Whitaker Bergamini e Rafael Tassinari, no livro Psicologia do Comportamento Organizacional, as pessoas que menos sofrem nesse processo são as que têm maior amadurecimento emocional e possuem predisposição para se aceitarem.

A falta de atenção aos fatores causadores de ambientes nocivos e conflituosos para indivíduos pode custar muito caro para a empresa.

Todos os desafios, pressões, medos e dificuldades no local de trabalho, somados à necessidade de ser e se mostrar cada vez mais eficiente, causam dor e conflitos emocionais, tornando esses lugares nocivos, dificultando a relação entre as pessoas e gerando insegurança. Contudo, a maioria é afetada negativamente, fica desmotivada, perde autoestima e deixa de evoluir. Algumas pessoas criam falsas expectativas e encontram grandes frustrações.

Peter J. Frost, professor de Comportamento Organizacional na Faculdade de Administração da The University of British Columbia‎, chama nossa atenção para o fato de a dor fazer parte da vida empresarial. Segundo ele, sempre existirão mudanças, chefes que serão muito exigentes, pessoas que perderão seus empregos, mas seus efeitos positivos ou negativos estão diretamente ligados à forma como ela é manipulada pela organização. A falta de atenção aos fatores causadores de ambientes nocivos e conflituosos para indivíduos pode custar muito caro para a empresa, além de causar grande sofrimento. Frost chama essa dor que suga a estima e enfraquece a confiança de “toxicidade empresarial”.

A diferença entre a frustração e o sucesso é o autoconhecimento.

Inevitavelmente, durante nossa carreira, todos vamos nos deparar com algum ou vários fatores conflituosos no trabalho, a diferença entre a frustração e o sucesso é o autoconhecimento. Alguns meses atrás, eu li um artigo do Sérgio Chaia, Coach empresarial, sobre resiliência ser mais importante do que talento, visto todas as intempéries do ambiente organizacional. Eu concordo e acrescento que a resiliência nasce da nossa motivação, por isso é tão importante se conhecer.

Sucesso é estar em um lugar que nos proporcione experiência, ou seja, estar em um ambiente que propulsiona a troca de conhecimento. É onde você contribui com a sua bagagem ao mesmo tempo em que pode ter a maturidade de reconhecer que, mesmo que não saiba algo, está pronto para aprender. Isso nos fortalece, é como uma cura, uma vez que estamos tratando da toxicidade no ambiente como uma doença organizacional.

Segundo a neurociência, quando estamos felizes liberamos mais dopamina e serotonina, substâncias que geram bem-estar e melhoram nossa capacidade de raciocínio, criatividade, aprendizado, tomada de decisão e resolução de problemas, contribuindo ainda para geração de insights e inovação.

Ser o melhor tecnicamente já não é mais o suficiente para atingir resultados e se destacar nas empresas, uma vez que o próprio ambiente favorece o surgimento de uma série de confrontos emocionais e comportamentos conflituosos. Entender e trabalhar para minimizar os fatores geradores de conflito, através de um bom trabalho de cultura, mapeamento dos profissionais e assegurar que as pessoas estejam nas posições mais adequadas ao perfil delas, ou seja, construir times de alta performance tem se tornado a melhor forma de competir.

Do outro lado, obter uma boa compreensão de si mesmo e buscar um local alinhado com seus valores vai proporcionar experiências positivas certamente o fará um profissional resiliente frente às dificuldades e permitirá produzir mais com menor interferência. Por isso, sucesso é estar no lugar certo.

Artigo publicado originalmente na ABRH BRASIL.