Querido marketeiro, aceite: a única constante é a mudança

by Vinicius Piccolo

Por Vinicius Piccolo

 

“There is no playbook” é uma das frases mais impactantes do primeiro episódio de BlackMirror, ainda sem a megaprodução Netflix, lá nos idos de 2011.

 

Para quem não viu o episódio, ou não lembra, é proferida nos primeiros minutos por um senhor de cabelos brancos, um dos assessores do primeiro ministro, ao ser questionado sobre qual era o padrão de ação para a situação em questão (sem spoilers aqui, prometo!).

 

A certeza com o qual el profere a frase carrega um tom – e uma certa serenidade, convenhamos – de quem já tem a experiência e a capacidade de compreender que a única constante é a mudança.

 

“Que você viva em tempos interessantes”, reza a maldição chinesa. Segundo os sábios, era o oposto de um momento de tranquilidade que permitiria evoluir o pensamento e alcançar a felicidade plena.

Essas duas frases traduzem bem os ventos que sopram hoje nas velas dos profissionais de marketing. A certeza chega hoje na forma de mais variáveis a serem consideradas. As possibilidades são exponenciais.

Se, antes as incertezas eram reduzidas ao macroambiente econômico e político e à comunicação dos concorrentes, hoje pode ser aquela startup que ainda nem nasceu em algum lugar do mundo e, oferecendo uma experiência melhor, pode extinguir uma indústria inteira.

E as fórmulas também já não funcionam mais. Acerta a jogada quem erra mais. E cada vez mais rápido. “Pivotar” virou uma analogia bonita para admitir que o fracasso ensinou algo, e que, portanto, devemos seguir “pivotando” até chegar na cara do gol. E ninguém conta que, quando chegar lá, vamos dobrar a meta (ou pivotar), porque não há um fim, e sim um novo ciclo e começamos tudo de novo.

Neste cenário todo, espanta que muitos profissionais usem a desculpa da constante mudança como a trava que os impede de ir em frente. O dado é gringo, mas 24% dos CMOs americanos dizem não atingir resultados por conta da inércia e da instabilidade de poder prever o futuro no cenário do marketing.

Great Scott!

Não se trata de saber os números da Mega Sena antes do sorteio, mas sim ter comprado o bilhete para poder participar do jogo. A regra é simples: buscar conhecer mais, se arriscar mais. E testar, testar, testar e ter a humildade de aceitar as falhas e aprender com elas. Só assim se cresce nessa tal de transformação digital.

É claro que o ambiente não ajuda. Quando a gente acha que sacou alguma coisa desses paranauê e já conhece como funciona uma DMP, chegam uns malucos falando da possibilidade de usar a tecnologia de blockchain para descentralizar a gestão da informação.

Querido Coiote, a gente te entende.

Porém, o sentimento não tem que ser de corrida perdida. É a chance de “pivotar” profissionalmente, aceitar a verdade socrática e buscar a informação onde quer que se possa encontrar. É ser curioso para ir atrás daquilo que não se entende e aceitar que isso também vai mudar. É ser liquido na gestão do próprio conhecimento, porém com um mindset sólido como uma rocha.

Isso não significa que não devemos conhecer nada em profundidade e ficar saltando de conhecimento em conhecimento com a velocidade das abas do navegador. E, sim, ter um olhar sobre, entender os impactos na sua área e industria em especifico e somar isso ao seu próprio repertório – e poder dialogar com quem aprofundou e vai te ajudar a chegar lá.

Essa mistura uma hora vai produzir o efeito necessário para construir um novo mindset e alcançar a serenidade enquanto se busca a melhor posição para as velas.

É hora de (re)escrever o seu playbook. De preferência, em tempos interessantes.

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